O encerramento do projeto contou com a ampliação e compartilhamento de saberes no Seminário dos Profissionais
O Projeto Pertencer, elaborado e organizado pelo psicólogo institucional Drean Falcão da Costa, em parceria com um grupo de estagiárias curriculares do curso de Psicologia da UniRitter, teve como objetivo fortalecer os vínculos entre os profissionais, promover o bem-estar coletivo e ampliar a cultura de pertencimento no ambiente escolar.
O projeto contou com três tempos: o 1º foi dedicado à escuta e ao reconhecimento de quem somos, o que nos vincula, fragiliza e nos sustenta a permanecer no João. O 2º tempo permitiu aprofundar e olhar com mais cuidado para os princípios, valores e tensões que constituem o cotidiano escolar. O 3º e último tempo ampliou o compartilhamento de saberes, reafirmou os valores e revisitou a história do Colégio no Seminário de Profissionais, que nasceu dos caminhos que o Projeto Pertencer trilhou com a comunidade no decorrer de 2025.
Os conceitos que atravessaram o projeto: pertencimento como construção coletiva; Escola como território vivo; ancestralidade, inspirada em estudos e culturas indígenas; democracia como prática cotidiana; Escola livre de preconceitos como horizonte ético permanente.
“Levei um ano para organizar e aplicar o projeto, com momentos de escuta para todos os profissionais do João. Ter esse diferencial de fazer algo global foi desafiador. Foi uma escuta institucional mesmo”, relata Drean.
Ele ainda destacou alguns impactos percebidos ao longo do processo, entre eles: o fortalecimento da identidade comunitária, o reconhecimento de fragilidades institucionais, uma maior circulação de fala entre os profissionais.
No 2º tempo a ideia era aprofundar essa escuta, através de conversas em grupos, abordando os assuntos que estiveram mais invisibilizados no tempo anterior e como que os profissionais enxergam e entendem os valores do Colégio. Drean comenta que a liberdade de expressão esteve muito presente nas conversas com os profissionais porque o João XXIII sustenta um espaço onde é possível falar, criar e existir com singularidade. Ao mesmo tempo, o valor relacionado à defesa da democracia veio de uma forma mais desafiadora. Esse se apresenta como um ponto importante a ser continuamente fortalecido no contexto de pensar o Colégio a partir das relações democráticas e coletivas.
Para trabalhar essas questões, no 2º tempo foram usados disparadores artísticos para mobilizar e sensibilizar os profissionais, ampliando as possibilidades de reflexão e conversa. Para isso, o grupo precisava selecionar, coletivamente, um dos disparadores para conduzir o diálogo. As opções apresentadas foram:
- O poema “Escola é… o lugar que se faz amigos”, de autoria desconhecida e inspirada numa palestra do autor Paulo Freire;
- A mostra fotográfica “Silêncios”, de Juan Manuel Echavarría, em colaboração com Fernando Grisalez;
- Um trecho do livro “Esperando não se sabe o quê: sobre o ofício de professor”, de Jorge Larrosa, intitulado “Comum”;
- Exercício de imaginação inspirado no texto “Desenhar a escola: um exercício coletivo de pensamento”, do livro “Elogio da Escola”, também de Jorge Larrosa.
“Para o 2º tempo escolhi o artístico como forma de expressão e a maioria dos grupos preferiu trabalhar com a mostra fotográfica. Isso mostra o quanto as pessoas se interessam por elementos não convencionais, que convoquem outras sensibilidades. O outro disparador escolhido foi o exercício de imaginação, para sair de algo mais concreto e real para o imagético. Foi importante interagir com outras linguagens de aprendizagem que não só as tradicionais”, explica o psicólogo institucional.
De acordo com Drean, ao apresentar a devolutiva do segundo momento do projeto, no final do 2º semestre de 2025, à equipe do CTAP (Conselho Técnico, Administrativo e Pedagógico), responsável pela organização do seminário dos profissionais, foram evidenciados alguns dados relacionados aos valores do Colégio. Na ocasião, o grupo também identificou nesse material uma oportunidade de aprofundar esse tema no seminário de 2026.
“Quando eu pensei em 3 tempos para o Projeto Pertencer, sabia o quanto seria desafiador fazer um fechamento. Eu também não tinha ideia de que o 3º tempo ocorreria no Seminário dos profissionais. Finalizar o último tempo juntos, olhando para os valores que nos constituem e nos orientam. Porque ampliar saberes não é apenas olhar para frente. É também olhar para trás, compreender os caminhos que nos trouxeram até aqui, reconhecendo aquilo que nos alicerça e entender as relações de poder que atravessam a nossa história”, destaca Drean.
Então, a construção desse último tempo veio com a ideia de ampliar e compartilhar saberes. O ampliar para resgatar o que fundou o Colégio e o que está relacionado à ancestralidade e aos saberes indígenas. Compartilhar um tempo que está ancorado na ancestralidade através das histórias herdadas, dos territórios ocupados, nos ciclos da natureza, nos gestos de cuidado aprendidos com quem veio antes e com quem caminha hoje.
No Seminário dos Profissionais, foram definidos territórios que representassem os valores fundantes do Colégio João XXIII:
- Fogo — Liberdade, que exige coragem e responsabilidade;
- Água — Respeito, que começa na escuta;
- Terra — Trabalho e Responsabilidade, que sustentam o cotidiano;
- Ar — Solidariedade, que lembra que ninguém educa sozinho;
- Centro — Tekoá comum / compromisso coletivo.
O psicólogo institucional explica por que se costurou a ideia da natureza, com os valores.
“Tornar essa costura como tema central para que todos seguissem debatendo os valores do Colégio, no Colégio, foi de uma riqueza institucional. O projeto sempre teve um fio condutor, no qual todos discutiram o mesmo tema com seus pares. Mas o seminário é o único momento em que se consegue reunir todos os profissionais para falarem sobre a mesma coisa.”
O projeto, num todo, auxiliou na aproximação das gestões pedagógicas e administrativas às equipes, identificando as que precisavam de um suporte maior. Trouxe a liberdade para que pudessem escutar, falar e debater, arejando um dos valores que é a democracia. Foi a oportunidade de formar os profissionais em relação aos valores do João XXIII.
“E eu circulei dentro de todos os contextos, como um agente de articulação do cuidado. E as pessoas puderam entender o que é um profissional de psicologia institucional. Puderam falar, escutar, debater e se reconhecer como pertencente a comunidade escolar. Não foi uma ação pontual, teve início meio e fim e não tinha o objetivo de buscar respostas rápidas. Foi um processo complexo, porém efetivo. Olhar para a nossa história e reconhecer os caminhos que nos trouxeram até aqui é importante. Reconhecer o passado para pensar o futuro trará benefícios duradouros.”
O que permanece após o Projeto Pertencer é a disposição para revisitar a própria história e o pertencimento como eixo único, assim como o compromisso com uma escola democrática. Para 2026, o psicólogo institucional seguirá o trabalho com duas linhas. A primeira terá ênfase na formação dos profissionais, com a participação integral das equipes, focada nos valores do João XXIII. A segunda linha formativa envolverá a participação comunitária para falar sobre o exercício da democracia e a defesa de uma Escola democrática.
Por Renata Lages A. Eberhardt
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Matéria sobre o Seminário dos Profissionais:
Matéria sobre o lançamento do Projeto Pertencer:
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Poema “Escola é… o lugar que se faz amigos” sobre a fala de Paulo Freire:

Fotos dos elementos da natureza no Seminário do Profissionais:
