“O tempo que caminha conosco” permeou o Seminário dos Profissionais do João

A programação abordou a ancestralidade, os sonhos, o tempo e o pertencimento no Colégio

Na manhã de 18 de fevereiro, o Colégio João XXIII acolheu os novos profissionais em um momento especial de escuta, apresentação e criação de condições para que cada pessoa se sentisse pertencente à comunidade escolar. A Direção Pedagógica apresentou a história do Colégio e compartilhou o tema do ano: “O tempo que caminha conosco”, um convite a lembrar que a escola não é apenas o que acontece de fevereiro a dezembro, mas é feita de histórias, memórias, escolhas e valores e também de futuro.

Participaram da acolhida as coordenações pedagógicas dos Núcleos da Infância e Juventude, além de lideranças das equipes de apoio pedagógico, coordenações e equipes administrativas. A proposta formativa dialogou com a ideia de que “o futuro é ancestral”, compreendendo a escola como um território vivo, atravessado por relações, memórias, escolhas éticas e projetos coletivos um futuro que nos chama a honrar tudo o que veio antes de nós.

Na abertura do Seminário, que ocorreu durante a tarde do mesmo dia, a diretora Paula Poli e a vice-diretora Fernanda Radajeski, da Direção Pedagógica (DP), trouxeram a importância do fortalecimento dos vínculos e a importância da construção humana da ancestralidade. Os representantes da nova Diretoria Executiva (DE), eleita em 2025, se apresentaram e destacaram a importância da formação dos profissionais.

Antes das atividades práticas, os profissionais assistiram a palestra “Nós somos os sonhos: Ancestralidade, Memória e Futuro na Escola” da Luciane Dornelles, professora antirracista e doutora em educação pela UFRGS. Ela falou sobre a diferença entre ancestralidade e antepassados, provocando uma reflexão sobre o tipo de ancestral que cada um gostaria de ser e de que forma honraria o passado. Em relação ao futuro ancestral, Luciane comentou sobre a luta, durante a ditadura, dos fundadores do Colégio para criarem uma Escola democrática e progressista, sonho que se concretizou e segue vivo há 62 anos.

Inspirada em concepções indígenas de tempo e comunidade, a proposta parte da ideia de que passado, presente e futuro não se organizam de forma linear, mas coexistem e se afetam mutuamente. O futuro, nessa perspectiva, não é uma promessa distante, mas algo que se constrói no presente a partir do que escolhemos honrar do passado — um futuro ancestral.

No Colégio João XXIII, essa reflexão se articula diretamente com seus valores fundantes — liberdade, responsabilidade, trabalho, solidariedade e respeito — entendidos como práticas cotidianas que sustentam a vida coletiva.

Entre os objetivos elencados para o Seminário estão a reafirmação da identidade institucional do Colégio João XXIII a partir de sua história, princípios e valores; o fortalecimento do sentimento de pertença; a promoção de encontros horizontais entre diferentes funções e setores; proporcionar vivências envolvendo os valores institucionais como experiência, e não apenas como discurso; a criação de uma memória coletiva que oriente o início do ano letivo e a produção de compromissos éticos compartilhados para o presente e o futuro da escola.

Após a partilha, o psicólogo institucional Drean Falcão da Costa falou sobre “Caminhos do Pertencer” e explicou que finalizar o projeto, desenvolvido ao longo de 2025, no Seminário, fazia muito sentido. O coordenador pedagógico do 9º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, Bruno Correia, convidou todos para se direcionarem às salas para iniciarem a caminhada “Território-escola” como coletivos de caminhantes, passando pelas estações-territórios, as quais representaram os valores fundantes do Colégio João XXIII:

• Fogo — Liberdade

• Água — Respeito

• Terra — Trabalho e Responsabilidade

• Ar — Solidariedade

• Centro — Tekoá comum / compromisso coletivo água, ar, fogo e terra.

Um território não é só um conjunto de prédios, salas ou horários. Ele é feito de histórias, de relações, de gestos repetidos, de escolhas éticas que moldam a forma como vivemos e educamos. Em muitas culturas indígenas, o lugar onde se vive e se aprende é chamado de tekoá. O intuito é propor um olhar diferenciado para o João XXIII como um tekoá vivo.

A vice-diretora Fernanda Radajeski espera que “o seminário seja um tempo vivido com sentido, de escuta, reflexão e alinhamento — para que possamos organizar nossos espaços, práticas e escolhas com coerência, cuidado e intencionalidade, respeitando processos, acolhendo desafios e fortalecendo, em cada gesto, o pertencimento à nossa comunidade escolar.”

A diretora Paula Poli complementa “buscamos fortalecer o sentimento de pertencimento entre todos os profissionais, renovando, juntos, os pilares que sustentam nossa prática cotidiana: liberdade, responsabilidade, trabalho, solidariedade e respeito. Seguimos, assim, honrando e dando continuidade ao sonho dos fundadores da nossa escola.”

O Colégio João XXIII prioriza, desde sua fundação, a formação dos profissionais e o fortalecimento da equipe pedagógica e administrativa. Anualmente, antes do início do ano letivo, é realizado o Seminário para o encontro dos educadores. Nos dias seguintes, se reúnem para compartilharem experiências, elaborarem os planejamentos de cada núcleo, ano/série, área e componente curricular.

Por Renata Lages A. Eberhardt

Confira os registros da formação dos profissionais: