…a ex-estudante Isabela Back Hans
A ex-estudante Isabela Back Hans está de volta ao Brasil e cursando o primeiro ano de Relações Internacionais na PUCRS. Apesar de ter se formado no Terceirão em 2021, o caminho dela foi um pouco diferente e a levou para o exterior, mais precisamente para a África do Sul. Ela decidiu fazer alguns cursos, um de liderança para jovens latino-americanos, na Latin America Leadership Academy (LALA), que buscam impacto social e liderança positiva e outro também de liderança do Global Citizen Year Academy, da empresa Tilting Futures. Após a conclusão, a empresa enviou um e-mail convidando-a para o novo curso de direitos humanos, dessa vez na África do Sul e com bolsa integral.
“Tive um mês para me preparar para viajar para a África do Sul. Quando cheguei, tive aula sobre direitos humanos, palestras, saídas de campo e eventos de diversos tipos e diferentes organizações. Além disso, eu tinha que fazer trabalho voluntário, de acordo com o que tinha preenchido no formulário e que combinasse com meus interesses”.
A ex-estudante do João contou que as temáticas imigração e crianças lhe interessavam e por isso eles a colocaram para dar aulas de inglês, matemática e ciências para crianças imigrantes, entre 5 e 8 anos, do Zimbábue, onde a língua nativa é o inglês. Após a conclusão do curso, retornou ao Brasil e decidiu que faria faculdade no Uruguai, apesar do sistema de ensino deles ser diferente daqui.
“A universidade no Uruguai é pública e entra quem quiser. Não existe prova e é só se inscrever. Cada turma tem em torno de 400 estudantes, embora caibam 300. As salas não têm infraestrutura. Os microfones muitas vezes estão sem pilha, não tem ventilador e nem ar-condicionado”, relata Isabela.
Outra questão que impacta o aprendizado dos universitários se refere à dificuldade que os professores têm em ensinar tanta gente ao mesmo tempo. E, não tem como sanar as dúvidas de todos durante as aulas, em razão da quantidade de alunos e a falta de microfone.
“Lá não tem lista de chamada. Não é obrigatório ir às aulas, tu não vais rodar por faltas. Mas precisa passar nas provas. Então muitas pessoas acabam faltando pelas precárias condições. É aí que entra o estudo e o interesse individual de ir atrás dos conteúdos e de estudar. E isso tudo eu aprendi no João. Sempre busquei conteúdo além da sala de aula.”
A Isabela ficou 8 meses no Uruguai, entre fevereiro e outubro de 2024. Em fevereiro de 2025 entrou na PUCRS por transferência da universidade do Uruguai. Ela diz que não se arrepende de não ter entrado na faculdade logo depois do Ensino Médio.
“Não me arrependo das minhas escolhas porque tive outras vivências que me trouxeram oportunidades incríveis das quais não me arrependo. Passava o dia inteiro estudando, muitas vezes até a meia-noite, quando meus pais pediam para que eu parasse de estudar. Não satisfeita, acordava de madrugada para estudar sem que eles soubessem.”
A busca pelo conhecimento sempre esteve presente, assim como sua dedicação aos estudos. E a sua jornada escolar começou cedo, aos 4 anos, na Educação Infantil do João XXIII. No ano seguinte, após a reforma das salas, Isabela costumava brincar no mezanino e naquele espaço que ficava embaixo dele.
“Eu adorava brincar com o teclado que tinha lá embaixo do mezanino. Era como se eu estivesse digitando de verdade. Eu me sentia grande por mexer em equipamentos reais, como computador, teclado e telefone. O que mais me marcou foi o escorregador que tinha dentro da sala e que ia direto para nosso pátio.”
Na transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, ela conta que ficou muito animada porque a partir daquele momento estudaria junto com os grandes. E foi lá que ela conheceu suas duas melhores amigas.
“Fomos colegas no 1º ano e nos separamos por um tempo e depois voltamos a ficar próximas nos anos finais. No 9º ano eu saí do Colégio e no outro eu conheci o mundo das simulações da ONU e ao mesmo tempo foi um ano complicado porque tive uma depressão muito profunda e fiquei afastada do colégio e meus pais me transferiram para escola, onde não me adaptei. Foi aí que pedi para voltar para “minha casa”, o Colégio João XXIII.”
Então, em 2020 ela retorna junto com a pandemia e em processo de recuperação da depressão. Essa transição lenta foi importante para ela ir se acostumando com a nova rotina. Mas foi durante a fase mais crítica da pandemia que ela e a mãe tomaram uma decisão importante, iriam para o Uruguai, já que tinham identidade uruguaia.
“Passamos um tempo morando no Uruguai durante a pandemia e conseguimos nos vacinar por lá, porque a vacinação começou bem antes. Voltamos para o Brasil após a notícia de que o Colégio voltaria ao presencial no semestre seguinte. Então eu teria um pouco de Terceirão presencial.”
Isabela lembra com carinho da gincana, dos dias temáticos, da festa das tintas, da formatura, e da viagem de formatura para o Beto Carrero. Ela ri quando lembra de uma crise alérgica violenta que quase a deixou de fora da viagem. Mas as memórias afetivas ainda estão muito presentes.
“As gincanas e o João em Ação deixaram marcas, porque era o momento que eu podia participar ludicamente, já que esporte não era meu forte. Nas coisas mais artísticas e intelectuais eu conseguia ser mais atuante e essencial para a equipe. Outra memória afetiva que tenho são dos lugares que gostava de ficar com minhas amigas, como o banco verde perto da direção e a escada que vai para o Lab23.”
São tantas as lembranças que os professores não poderiam ficar de fora. Ela destaca as aulas com o Rogerinho, quando ele fazia dinâmicas envolvendo criatividade e com encenação de momentos históricos, e dos debates nas aulas do Arthur. Ela relata que após uma vivência no outro colégio, sugeriu se implantasse no João a questão do simulado da ONU, o que ocorreu durante a pandemia.
“Eu já me interessava por essa área de Relações Internacionais, quando eu, o Vítor e alguns professores coordenamos para que esse momento de simulado da ONU acontecesse e acredito que tenha até hoje.”
Nossa ex-estudante relata que o Colégio sempre incentivou os estudantes a desenvolverem e ampliarem ainda mais suas habilidades. Não era preciso ser bom em tudo. O importante era o quanto tu te esforçavas e se dedicavas para algo que não era tão inerente. De acordo com a Isabela:
“O respeito à individualidade de cada um sempre foi a premissa do João. Tu não precisavas entrar num molde para ser aceito ou validado. No João eu pude ser eu mesma, aprender a pensar e a criar meu próprio caminho.”
E esse caminho não foi nada tradicional, porém intenso. Ela fez escolhas que considerava melhores e percebeu que mesmo com processos atravessados, invertendo a ordem das coisas, é possível realizar sonhos e atingir seus objetivos. O único caminho tradicional na vida da Isabela, foi seguir os passos da sua mãe e tios que estudaram no João, na década de 70. Essa tradição a Isabela seguiu à risca. E o amor e a identificação pelo colégio seguem até hoje.
“As cores verde e azul do João ficaram marcadas em mim assim como o logo do colégio. O globo me remete à internacionalização e a conhecer o mundo. E a minha visão nas relações internacionais é muito de cooperação global, então até o logo do João tem tudo a ver comigo. E o boton que ganhei do João quando me formei, carrego sempre comigo nessa bolsa. Eu amo essa escola”.
É evidente o quanto o Colégio influenciou no ser humano no qual ela se tornou. E ela faz questão de deixar um recado para todos os estudantes:
“Não tentem se encaixar num molde. Vocês podem ser o que quiserem e aproveitem as oportunidades que o João oferece. Ativem contatos, vão em busca daquilo que desperta interesse e do que vocês gostam.”
Por Renata Lages A. Eberhardt













