… o ex-estudante Ricardo Aquino
O ex-estudante Ricardo Aquino é formado em Administração pela PUCRS e é franqueado da Prudential, multinacional americana na área de seguros, presente em mais de 50 países. Atualmente ele trabalha com a proteção financeira das pessoas e famílias.
“Eu viajo bastante, apesar do meu trabalho central ser aqui em Porto Alegre. Como a empresa é americana, o staff fica nos Estados Unidos (EUA). A Prudential tem um modelo de estímulo financeiro e de competitividade entre suas franqueadas. Por esse motivo eu apareci na Time Square”, nos relata orgulhoso.
São muitas as premiações da seguradora e uma delas foi a coroação dessa conquista num evento nos EUA, que resultou na divulgação da foto dele e da franquia no telão na Time Square. Nesses 11 anos com a Prudential ele já empregou e ainda emprega amigos e ex-estudantes do Colégio João XXIII.
Essa amizade e parceria vem desde os tempos de João, quando ele entrou com 4 anos na Educação Infantil, em 1987. Sua irmã já estudava no Colégio. Ambos permaneceram até a formatura no 2º grau.
“Nós dois estudamos a vida inteira aqui. Se não em engano eu estudei por 13 anos. Foram dois anos na Educação Infantil. Lembro da minha adaptação, quando a minha mãe me levava e ficava esperando do lado de fora da sala. Ela dizia que ia ficar ali e eu abria a porta e espiava para ver se realmente ela estava lá. E estava. Até que um determinado momento eu olhei e não a encontrei. Mas isso não foi um problema”, recorda Ricardo.
Entre tantas lembranças do Colégio, Ricardo nos conta que as atividades de pintura na Educação Infantil o levaram à descoberta das cores e suas misturas. Assim como aconteceu no 1º grau, quando começou a desenhar, aprender as letras, a ler e escrever.
“Outro momento marcante aconteceu na aula de matemática quando aprendemos a fazer contas usando palitinhos de picolé. Fazíamos uma casinha e colocávamos 10 palitinhos para preenchê-la. Uma dinâmica bem diferente para aprender as dezenas.”
O João sempre teve uma forma muito especial de ensinar, estimulando a criatividade, a autonomia e o desenvolvimento das habilidades dos estudantes através da ludicidade e das vivências práticas, fossem elas esportivas ou não.
“Eu sempre fui apaixonado por esporte e eu joguei em todos os campinhos do João. Na Educação Infantil eu jogava no que ficava na entrada e que não existe mais. Inclusive, teve um dia que eu chutei a bola e ela atravessou o campinho e foi parar na casa que tem ao lado do Colégio. Lembro que naquele momento me senti muito forte por ter feito aquilo. Foi uma sensação de poder e de conquista.”
O nosso ex-estudante era bom nos esportes e na matemática, mas não se considerava um bom leitor. Ele diz que o Colégio sempre estimulou a leitura e por isso acabou pegando gosto depois que uma professora estipulou metas diárias de leitura.
“Passei a ler 10 páginas por dia depois que a professora deu a ideia de estipularmos uma meta e isso me ajudou bastante. Me senti mais leve para ler livros maiores e feliz por conseguir atingir meu objetivo e absorver o que lia. Foi muito importante esse olhar individual da dela. Fazia eu me sentir acolhido e respeitado. Era um atendimento quase personalizado. O Colégio era muito humano”, salienta Ricardo.
Entre os professores com esse olhar diferenciado, ele destaca a Anelore, Gilmar, Rogério e o Bido, que de certa forma influenciaram na construção da identidade e no desenvolvimento do Ricardo, principalmente em relação à disciplina nos esportes e na vida.
Quando ele ingressou no 2º grau, integrava o time de futebol de salão do Colégio com seu amigo Danichi, que já participou da série Por onde anda…. Juntos jogaram em diversos colégios de Porto Alegre pelo Campeonato Citadino.
“Eu amava jogar futebol, que era uma possibilidade profissional. Eu tentei por duas vezes e comecei jogando no time de base do Grêmio. Mas a rotina era muito difícil para minha cabeça de 14 anos, eu estudava pela manhã e treinava de tarde. No final de semana eu tinha torneio. Via meus amigos indo para as festas enquanto eu treinava e competia. Acabei desistindo. Depois, quando eu entrei na faculdade, tentei de novo, mas não passei nos testes. E está tudo bem. Talvez tivesse ficado frustrado por não ter tentado”, explica Ricardo.
No último ano do 2º grau as atenções se voltaram para a tão esperada Festa das Tintas. Ele recorda que pintar o muro, se pintar e pintar os colegas foi um divertimento. Mas nem por isso deixou de focar nos estudos para o vestibular.
“Eu acabei fazendo vestibular para Administração na PUCRS porque naquela época eu imaginava empreender em alguma área, mas não sabia exatamente no quê. Então, eu achava que esse curso ia me trazer possibilidades e um bom conhecimento. Eu não fiz cursinho e consegui passar no primeiro vestibular que fiz quando saí do João.”
Depois de formado na graduação, um amigo e ex-colega no João XXIII, Leonardo Garcia, hoje escritor e roteirista de filmes, o convidou para viajar num mochilão de 30 dias pela Europa. Ele aceitou o convite e depois, o amigo seguiu para o mestrado na Espanha enquanto ele foi trabalhar na área comercial para se sustentar. Ficou no país por 6 meses.
“Achei um trabalho na área de vendas, aquela de porta em porta. Foi a primeira conexão com a minha atividade atual. Eu tive uma experiência muito boa, porque foi uma atividade de campo, na qual eu também precisava falar em espanhol.”
Após esse período, ele retornou ao Brasil e ingressou na pós-graduação em marketing no SENAC. Hoje ele se considera um profissional de alta performance, um superpai, marido e amigo.
“Um amigo diz que eu sou unânime, porque as pessoas gostam de mim de graça. E isso eu devo muito ao João XXIII. Porque durante minha trajetória escolar fui estimulado a ser essa pessoa de bom trato e agradável. Eu gosto de pessoas. Gosto de estar aqui falando contigo, dando essa entrevista.”
Nosso ex-estudante deixa algumas dicas sobre o que é necessário para o mercado de trabalho: espírito de protagonismo, disciplina e controle emocional.
“Muitas vezes colocamos a culpa pela nossa frustração no nosso chefe, no professor, na turma, no colega e nunca em nós mesmos. Reflitam sempre sobre como posso ser melhor nas minhas relações e naquilo que busco. Nem sempre estaremos motivados, por mais que a gente ame o que faça. E é a disciplina que nos levará aos lugares sonhados. E o João contribuiu significativamente na minha disciplina, controle emocional e na minha formação como indivíduo.”
Para finalizar as dicas, ele reforça a importância de viver e aproveitar o Colégio ao máximo.
“A gente passa uma vida aqui dentro e quando retorna depois de algum tempo, percebe que em algum lugar do cérebro e do coração ficaram as guardadas as lembranças e as emoções vividas aqui. Retornar ao João para dar essa entrevista fez eu reviver cada pequeno detalhe. As gavetas se abriram e as emoções surgiram. Gratidão ao João XXIII e a vocês por me darem essa oportunidade inesquecível de viver isso.”
Por Renata Lages A. Eberhardt









