A Toque Musical celebra 25 anos de parceria com o Colégio João XXIII

Caminhada construída em conjunto, marcada pela formação de talentos, sensibilidade artística e presença nos momentos que fazem o Colégio pulsar

A relação entre a Toque Musical e o Colégio João XXIII, começou antes mesmo da escola existir. Em março de 2021, o professor de música Everson Borges, iniciou suas atividades pela escolinha terceirizada Recrear, que também atuava dentro do Colégio.

Foi por intermédio de sua mãe, professora de escola pública e vendedora de cosméticos, que ele conheceu o João XXIII. Everson, em uma dessas visitas, decidiu falar com a diretora sobre a possibilidade de oferecer aulas de música. Ela o encaminhou ao Pulga, que, por não ter familiaridade com a área artística, sugeriu que conversasse com a Ana Maestri, professora de música que permanece no João até hoje. A conversa rendeu bons frutos e em maio de 2021, Everson começou a dar aulas e fundou a Toque Musical.

“No início eu tive poucos alunos, em torno de 20. No ano seguinte cheguei a pensar que a Toque Musical não iria longe porque ainda não conseguia me sustentar somente com as aulas. Mas segui em frente e foi a melhor escolha que fiz. Lembro, de no primeiro ano de trabalho colocarmos uma faixa de divulgação e, uns dias depois, os estudantes já a conheciam como a “Toque”, recorda Everson.

A partir de 2004, a escola viveu um crescimento expressivo, com o aumento do número de alunos. Após um período de aulas sem local fixo, a escola passou a contar com um espaço físico permanente: a casa onde funciona até hoje, anteriormente ocupada pelo grupo de escoteiros do Colégio João XXIII. A casa foi, inclusive, construída por eles.

Everson relembra que, antes da construção da casa, existia apenas o Campão de Areia, e o espaço onde hoje funciona o refeitório era usado como depósito. Na época, ainda não existia a pracinha dos anos iniciais, e somente a equipe da manutenção que frequentava a área mais ao fundo do colégio.

Com a chegada da Toque Musical ao novo espaço, o saguão da casa foi transformado num tatame para receber as aulas de judô, promovidas pela Recrear, enquanto os outros ambientes eram tomados pelos sons dos violões, baixos e baterias. Algum tempo depois, com a saída do judô, a escola seguiu desenvolvendo musicalmente seus alunos. No seu auge, a Toque chegou a atender cerca de 120 alunos. Esse número diminuiu significativamente durante a pandemia. A escola iniciou com 80 talentosos estudantes, caindo para 75 e baixando ainda mais no retorno ao presencial.

A pandemia causou grande impacto na comunidade escolar, assim como para a Toque Musical. As aulas passaram para o on-line, e o Everson precisou adaptar a metodologia, equipar os professores com câmeras, equipamentos de som e impressoras, além de apoiar os alunos que não tinham instrumentos musicais.

“Quem não tinha instrumento eu emprestava. Foram 17 equipamentos e instrumentos emprestados, entre violão, teclado, guitarra, afinador eletrônico, baixo e caixas de som. No início todos seguiram com aulas on-line, mas com o passar do tempo, alguns desistiram. Para as crianças foi mais difícil ter aula nesse formato, porque tinha um atraso no som, não era possível tocar ao mesmo tempo e em sintonia com eles. Com os maiores e os adultos era mais fácil. No final da pandemia estávamos com apenas 30 alunos, daqueles 80 iniciais. Como eu não tinha como pagar todos os 8 professores em razão das desistências, permaneceram 5. Em 2022 os alunos foram voltando. Mas não consegui trazer todos eles de volta”, destaca o professor de música.

Atualmente, a Toque musical conta com 64 alunos e 7 professores e a meta para 2026 é chegar aos 70 alunos, para dar mais equilíbrio financeiro e a infraestrutura possa receber melhorias para oferecer um ambiente mais acolhedor.

Com o passar dos anos, Everson percebeu a importância e o valor que a Toque Musical tem, tanto para a comunidade escolar, quanto para o Colégio. Por ter tido unidades em outros colégios, ficou evidente o quanto estar no João XXIII é diferente.

“Nesses 25 anos eu vi muita escola fechar. A grande diferença é que o meu púbico e os meus alunos estão aqui, a um passo da porta. Tenho contato direto com eles. Aqui tenho segurança e tranquilidade para trabalhar. E o mais legal é que eles se sentem acolhidos pelos professores, e a conexão é quase imediata. Cada um tem uma maneira de se relacionar, e por diversas vezes a impressão que eu tenho é eles não vão para a Toque fazer aula de um determinado instrumento. Eles vão para fazer aula de “Bel”, de “Marcião”, de “Leo”, aula de cada professor, porque eles são apaixonantes e muitas vezes a aula fica até em segundo plano justamente pelo afeto e acolhimento que os professores dão a cada um”, ressalta Everson.

Pela escola já passaram aproximadamente 1600 talentos e muitos deles estão no mercado trabalhando como músico, professor e musicoterapeuta. E alguns enxergam a música apenas como hobby.

No caso da família Siebert, todos passaram pela escola e guardam valiosas lembranças daquela época, quando a música era o hobby de todos eles.

“Se não me engano, em 2006 a Toque Musical entrou em nossas vidas e a para história da nossa família. O Giovani, meu filho mais velho, tinha 10 anos e estudava no João XXIII. Ele queria tocar guitarra igual a mim. Anos depois, a Isabela, minha filha, com apenas 8 anos, me perguntou se poderia tocar bateria e é claro que eu deixei. Então, ela fazia aula de bateria e o Giovani, que já estava na faculdade, de teclado. Eu não fazia mais aula de guitarra e a minha esposa, a Márcia, ainda fazia de canto. Acabamos nos apresentando juntos, em família, pela Toque Musical. Foi emocionante! E os “guris da Toque”, excelentes músicos, viraram nossos amigos, para além dos portões do Colégio”, relata Mauro Siebert, ex-aluno da Toque Musical.

A Toque formou gerações, que começaram com os pais e familiares dos alunos, passando pelos filhos e colegas de aula. Também teve o processo inverso, no qual os alunos levaram suas famílias e amigos para a Toque.

“Essa é a vantagem de estar aqui dentro. Um puxa o outro. Tive alunos que estudaram no João e na Toque Musical a vida toda e que hoje trazem seus filhos. Essas conexões são muito importantes para nós professores. Aqui desenvolvemos talentos e cultivamos as relações”, afirma o professor Everson.

Além dos estudantes, alguns professores do João XXIII também passaram pela escola. Independentemente de quem seja e da faixa etária, todos são acolhidos igualmente. Assim como os alunos externos da Toque Musical, que por vezes acabavam matriculados no Colégio.

“Mesmo não nos encontrando diariamente, criamos um laço muito forte com os alunos. Quando eles querem aprender um novo instrumento, preferem continuar com o mesmo professor, que o acolhe fazendo com que se sinta valorizado e respeitado na sua individualidade. Se esse vínculo não existisse, o aluno já teria ido embora e nós teríamos perdido um talento”, fala Everson.

Essas conexões se fortalecem gradualmente a partir do momento em que Everson deixa de ser professor e passa também a atuar como conselheiro, oferecendo um ombro amigo sempre disposto a ouvir e conversar sobre os mais variados temas, sem julgamento.

Um desses casos envolve uma aluna que desejava ser musicoterapeuta e perguntou para ele se deveria cursar Música na UFRGS. Everson respondeu com algumas perguntas pertinentes: se o objetivo era lecionar música, tornar-se maestrina ou seguir alguma profissão mais específica. No caso dela, não seria necessário cursar Música naquele momento, e ele aconselhou que fizesse Psicologia primeiro, já que o aprendizado musical é contínuo e acompanha toda a trajetória de quem escolhe essa área. Ela acabou optando por cursar Música, gravou um disco e, posteriormente, fez uma especialização para trabalhar com crianças autistas.

“Ela escolheu o que considerava melhor para ela. Foi um caminho mais longo, mas correto. Depois que ela se formou, eu a convidei para dar aula de canto na Toque. No entanto, ela decidiu continuar na área que escolheu, a musicoterapia”, relembra Everson.

E a relação de confiança e parceria não é somente com os alunos. O mesmo acontece com os professores. O Everson sempre manteve o mesmo comportamento: ser transparente, acolhedor, afetuoso e parceiro, proporcionando muitas trocas entre eles.

“A minha relação com os professores sempre foi muito transparente. Quando eles chegam na escola, eu explico como tudo funciona, fazemos nossas combinações e as cumpro sempre e eles também. São 25 anos desenvolvendo talentos e promovendo a música dentro do Colégio João XXIII, instituição que valoriza a cultura em todas as suas formas. E tudo isso só foi possível através da confiança e transparência nas conexões, parcerias e relações”, finaliza o dirigente da escola Everson Borges.

Conheça um pouco mais da Toque Musical no perfil do Instagram: @toque25anos

Informações sobre as aulas através do WhatsApp (51) 98162-1819 ou e-mail toquemusical@gmail.com

Por Renata Lages A. Eberhardt