Coletivo propõe II formação antirracista aos profissionais do João XXIII

Na terça-feira, (16/11), o Coletivo Escola Antirracista organizou o II Encontro sobre racismo institucional para os profissionais do Colégio João XXIII. Desta vez, os palestrantes, Cristiano Hamann e Mauren Martins debateram sobre identidade e interseccionalidade. O evento contou com a participação de 116 pessoas, entre Gerência, Direção Pedagógica, Diretoria Executiva e profissionais de diversos setores do Colégio.

O Coletivo é constituído por membros da Comunidade Escolar – famílias, estudantes, profissionais, professores/as, conselheiros/as, direções e convidados/as, que juntos organizaram um Plano de Ação dentro do Colégio João XXIII, a fim de transformar o ambiente escolar em um lugar mais inclusivo, democrático e diverso.

O professor de História, Rogério Carriconde, abriu a reunião falando sobre eurocentrismo, citando a filósofa Lélia Gonzalez. “Lélia atuava principalmente por um feminismo afro-latino-americano e alertava que alguns teóricos aqui do Brasil não conseguiam escapar das astucias da razão ocidental, do pensamento europeu, devido aos efeitos do neocolonialismo cultural. Ou seja, essa razão ocidental, segundo Lélia, excluíam a diferença e desconstruiu uma identidade propicia à América Latina”, salienta.

Mauren Martins, mãe e membro da comunidade escolar, abre sua fala pedindo licença aos mais velhos e aos mais novos, fazendo uma viagem em sua trajetória para falar sobre a construção da identidade em espaços majoritariamente brancos, assim como, a importância de referências negras positivas. “Essa construção de elementos, de buscar subsídios e recursos, tanto na pré-escola quanto no decorrer dos anos, para não estar referenciando a questão negra somente no mês de novembro e estar buscando esses elementos nos profissionais que temos, que são grandes nomes, são referências”, afirma Mauren.

Finalizando as apresentações da noite, o psicólogo institucional, Cristiano Hamann, apresentou um termo que está em constante discussão no feminismo negro, que é a interseccionalidade, cunhado por Kimberlé Crenshaw. A interseccionalidade trataria da forma como ações e políticas específicas geram opressões que constituiriam aspectos ativos de vulnerabilização, de dificuldade.

É muito interessante que o Colégio esteja, de alguma forma, colocando isso em pauta, porque a gente precisa lidar com os conflitos que são derivados dessa discussão, para que a gente possa ir elaborando e criando políticas no Colégio que sejam cada vez mais equânimes, mais interessantes pros sujeitos”, salienta Cristiano.  

As ações do Coletivo também são subsidiadas pelas recentes mudanças no Estatuto Social da Fundação Educacional João XXIII, que propõe uma política institucional de inclusão social e racial, ressalta a gerente administrativo-financeira, Adriana Goytacaz. As alterações estatutárias foram aprovadas na reunião extraordinária do Conselho Deliberante, dia 19/10/21.

Histórico
O Coletivo Escola Antirracista surgiu em dezembro de 2020 com o intuito de aprofundar, discutir e propor ações que contribuam para que o Colégio João XXIII cada vez mais assuma uma prática educacional antirracista, que proporcione relações saudáveis entre as pessoas. O racismo estrutural promove violências e desigualdades sociais, e reconhecer que a escola, como parte da sociedade, também é um espaço em que o racismo está presente é uma das ações iniciais.

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