Exposição e encontro com descendentes africanos marcam o Dia da Consciência Negra

A exposição segue em cartaz na etapa de 1º ao 5º ano até sexta-feira, 23/11

A exposição “Consciência Negra: ontem, hoje e sempre”, do 5º ano do Ensino Fundamental, está entre as atividades que marcam o Dia da Consciência no Colégio João XXIII. Data nacionalmente reconhecida desde 2003, “o dia 20 de novembro faz nosso João pulsar, porque ele simboliza a escolha pela consciência que fizemos enquanto escola”, afirma a coordenadora pedagógica da etapa de 1º ao 5º ano, Ianne Ely Godoi Viera.   

Além da exposição, que reúne textos do 5º ano sobre personalidades negras do Brasil e do mundo e máscaras africanas, produzidas pelos mesmos estudantes, a professora Thaís Meditsh organizou, na manhã de terça-feira, 20/11, uma reflexão sobre a data.

Para conscientizar a gurizada foram convidadas Domingas Mendes, migrante guineense e habitante de Porto Alegre há mais de cinco anos; Fabiana Souza, contadora de histórias do Colégio; e Beto Silva, neto de mãe de santo e descendente de africanos. “A atividade, que também é fruto da caminhada histórica e geográfica realizada durante este ano com os estudantes, foi muito emocionante e complementou nossos estudos sobre os negros no Brasil e no mundo”, fala Thaís.

Através de fotos e vídeo, por exemplo, Domingas contribuiu para a desmistificação sobre a migração e a África. “É importante saber mais sobre a África, porque muito se ouve e pouco se sabe. Aqui nesta escola é diferente. Percebo que as crianças estão bem informadas, fruto do trabalho anterior feito em sala”, afirma Domingas.      

Enquanto Fabiana contou para a gurizada “A verdadeira história do Saci Pererê”, um conto da atriz e cantora Monique Rocha, do Espírito Santo, Beto fez a sonoplastia da história. “Baseada no mito do Saci, Monique conta fatos da época da escravidão, como castigos que os capatazes e os senhores da fazenda davam para os escravos, e fala também sobre os orixás”, explica a contadora de histórias do João XXIII. “A contação, além de ser uma forma de resistência, preserva a história dos povos africanos e indígenas que até pouco tempo atrás era transmitida apenas através da oralidade. Na minha época de estudante não se falava no Príncipe Custódio, no Zumbi dos Palmares, na Dandara e nos Lanceiros Negros. Isso era repassado através da arte”, diz Fabiana.     

Para Beto, companheiro de Fabiana, marcar o 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra também é uma forma de preservar a história do negro no Brasil e no Rio Grande do Sul. “Foi em Porto Alegre, com o poeta Oliveira Silveira, que começou a discussão sobre os dias 13 de maio e 20 de novembro. A assinatura da lei Áurea, no dia 13 de maio de 1888, não deu condições para a população negra se manter e a maioria ficou a margem. O dia 20 de novembro, dia da execução de Zumbi dos Palmares, o principal representante da resistência os negros à escravidão, simboliza a oposição e a combatividade do nosso povo”, finaliza.

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