II Congresso climático: João Chama Para Cura do Mundo  

Por Wesley Quevedo

Na última semana, nos dias 16, 17 e 18 de setembro, mais uma vez o João XXIII fez uma imersão no mundo da natureza, ancestralidade e meio ambiente. Uma edição, onde as turmas de 3º, 4º e 5º anos com olhar da perspectiva infantil, assumiram a organização, mostrando protagonismo e autonomia na preparação do evento. 

As crianças congressistas participaram da escolha do tema, dos (as) convidados (as) e da construção da programação. Ao longo do processo, eles foram convidados a conhecer questões relacionadas ao clima e meio ambiente, formulando perguntas e trazendo propostas para desenvolver projetos que respondam a perguntas “Que futuro queremos desenhar?”

A partir da ideia de troca e conhecimento, as crianças enviaram vídeo-convites para Eliane Brum, que além de fazer parte da nossa comunidade como avó da Escola é, jornalista e documentarista brasileira, fundadora e diretora de redação da Sumaúma, plataforma focada na Amazônia, e Xadalu Tupã Jekupé, artista visual indígena que usa elementos de serigrafia, pintura e fotografia, mostrando representatividade indígena e protagonismo em seu trabalho. Ao levar a temática indígena para o cotidiano de Porto Alegre, Xadalu transforma espaços urbanos em lugares de memória e visibilidade, reafirmando que a presença indígena também faz parte da história e do presente da cidade.

Xadalu partiu de uma obra que já faz parte do cotidiano das crianças dos Anos Iniciais, o livro Cadê Cadê escrito por Paula Taitelbaum e ilustrado pelo artista. A partir dos personagens e dos elementos presentes na publicação, ele contou às crianças sobre as inspirações que vêm da ancestralidade indígena e que atravessam suas criações literárias e artísticas.

Na sequência, Eliane Brum convidou toda a comunidade a exercitar a imaginação para acompanhar uma história que atravessa a Amazônia, a trajetória das tartarugas e os caminhos percorridos por esses animais para garantir a continuidade de sua espécie. A jornalista trouxe a atenção para os obstáculos encontrados pelas tartarugas ao longo de sua jornada e para a interferência humana nos ambientes onde vivem. A história serviu como ponto de partida para uma reflexão maior, quando e como as ações humanas transformam rios, florestas e territórios.


Em sua primeira edição, em 2024, participaram turmas de 3º e 4º anos, quando foi criado o Guia de Ideias, um material elaborado pelas próprias crianças a partir de suas pesquisas e reflexões sobre o tema. Neste guia, continham propostas para a Poluição do Ar, Animais em Extinção e Conservação dos Biomas, entre outros assuntos relacionados ao tema. 

Nesta edição de 2026, nossas crianças continuaram construindo as vivências para uma educação que ultrapassa os muros da Escola e assume a responsabilidade de dialogar com o mundo e construir diferentes futuros. 

No segundo dia de Congresso, as crianças ampliaram os debates e compartilharam com as famílias pesquisas e aprendizagens construídas ao longo do ano. Entre os temas apresentados estiveram o desmatamento da Amazônia, o racismo ambiental, a estação meteorológica e a biopirataria no Brasil. Os estudantes do 3º e 4º anos também apresentaram produções desenvolvidas a partir das investigações e experiências sobre a natureza, o meio ambiente e o cuidado com o mundo.

O terceiro e último dia marcou o encerramento do II Congresso Climático, com a apresentação do manual produzido pelas crianças ao longo do projeto. O material reúne os principais problemas ambientais identificados pelos estudantes e propostas de soluções pensadas por eles para contribuir com a construção de um futuro mais sustentável.


Para ampliar as discussões, o encerramento contou ainda com a participação de convidados da comunidade escolar e de diferentes áreas ligadas à temática ambiental, como Renato, presidente da FEPAM; Douglas e Leandro, da equipe de Meteorologia da Unisinos; Guilherme, pai do estudante Martin, da turma 1D; Cristina, mãe do estudante Pedro, da 4H; Bárbara, tia da estudante da 3D; e Maiara e Carolina, do Projeto Palafita. O encontro encerrou três dias de pesquisa, diálogo e produção de conhecimento, reforçando o compromisso do João XXIII em incentivar as crianças a compreenderem os desafios do presente e a imaginarem caminhos para cuidar do futuro.


O Congresso de 2026 vendeu em torno de 300 ingressos, com público de dentro e fora da Comunidade Escolar. A nossa iniciativa reforça o compromisso do João XXIII com a formação de crianças conscientes e atuantes, que possam compreender os desafios do meio ambiente e participar da construção de um futuro mais sustentável. Cuidar do meio ambiente também é cuidar do futuro das nossas crianças.