… ex-estudante Ana Carolina Tönniges Roth
Atualmente a Ana Carolina veleja pelos mares do Brasil e do exterior, competindo na categoria ILCA 6, como atleta da Marinha do Brasil, pelo Programa Olímpico da Marinha (PROLIM)* desde 2025 e como Atleta do Clube Veleiros do Sul, desde os 6 anos. Para se tornar 3º Sargento da Marinha, ela se inscreveu no processo seletivo para o PROLIM, que é baseado em análise de resultados do atleta em competições. Depois de selecionada ela passou por um treinamento, envolvendo sobrevivência na selva. Após a aprovação e formatura no curso, ela representará a instituição militar por 8 anos em campeonatos, que é o tempo equivalente a dois ciclos olímpicos, com término previsto para 2032. Por ser vinculada ao Programa, ela não pode ter carteira profissional assinada, mas está liberada para ter patrocinadores.
A atleta também é estudante de fisioterapia na PUCRS. Para conseguir conciliar os treinos, competições e estudos, cursa um número menor de disciplinas. E no curto e intenso período que estudou no Colégio João XXIII, durante o Ensino Médio (EM), não foi diferente. A vinda dela para o Colégio em 2021 foi um movimento natural porque suas amigas estudavam aqui assim como seu pai, Guilherme Roth, estudou.
“Entrei na pandemia e meu pai ficou muito feliz por eu ter ido estudar no João. Mas a escolha foi minha mesmo. Entrei na 1ª série, no momento que flexibilizaram o retorno ao presencial. Me diverti bastante, eu era da turma do fundão e me dava bem com todo mundo, além de servir entretenimento aos meus colegas. Pior ser bem relacionada, gostava de falar e de conversar com todos meus colegas, professores e funcionários.”
Por ter amigas que já estudavam no João, ela afirma que a adaptação foi mais tranquila e aos poucos foi se encaixando e se sentindo pertencente. Essas mesmas amigas tiveram um impacto muito importante em sua trajetória escolar. Elas auxiliavam na recuperação de conteúdo das aulas, nos trabalhos e estudos. Como a turma também tinha outros estudantes que eram do esporte, todos compreendiam as ausências, as rotinas de treinos e campeonatos. Ela afirma que a equipe pedagógica foi muito compreensiva com a situação dela e que todos, de alguma forma, contribuíram positivamente para o aprendizado dela.
Seus pais sempre reafirmavam que o compromisso dela era estudar e passar de ano. E, se ela queria velejar, treinar, viajar e competir, teria que dar conta de tudo: ir bem nas provas e trabalhos, fazer vestibular, passar e entrar na faculdade. No entanto, a Ana Carolina tinha autonomia para decidir as questões escolares, no que cabia a ela, e no que envolvesse a vela.
“Foi nessa época que aprendi a argumentar e negociar prazos, provas e trabalhos. Eu tinha abertura para conversar e negociar com os professores, coordenadores e direção do Colégio. Isso me preparou para a vida. Aprendi a ser mais organizada, a me comunicar e me expressar melhor, até em outras línguas.”
A nossa ex-estudante considerava o João XXIII como sua casa. Se sentia à vontade para andar descalça, ocupar os espaços, se expressar e se relacionar com todos. No João ela sempre foi respeitada por suas escolhas e tinha liberdade para ser quem ela era.
“Sempre fui validada pelo colégio. A Tina era a quem mais me escutava. Toda vez eu ia lá falar com ela sobre alguma situação, ela me ouvia atentamente e ajudava como podia. O João XXIII fazia eu me sentir acolhida. Eu era muito feliz no Colégio.”
E a felicidade a acompanhava em cada recreio compartilhado com as amigas pelo bancos do colégio, onde costumavam sentar para pegar no sol no inverno e comer o famoso pão de queijo da cantina.
“Os recreios proporcionaram momentos junto à natureza. A imensa área verde me transmitia muita paz. E isso era muito importante por causa da minha rotina atribulada. Então, nesses momentos a gente aproveita para conversar, jogar cartas e jogos de tabuleiro”, recorda Ana Carolina.
Além dos momentos vividos nos recreios, a nossa ex-estudante gostava das aulas de português e de redação da professora Josiele, das aulas de inglês do professor Lucas, das professoras Viviane e Paula Poli de química, o Marcelão de educação física, o Rogeirinho que interpretava personagens da histórias, as aulas divertidas do Caju e a Cida de matemática.
“Lembro que a Cida tinha uma paciência enorme para ensinar o que eu não entendia. Ela era muito calma, paciente e compreensiva. Isso foi fundamental pra minha jornada escolar.” .
Assim como os professores, o Ensino Médio deixou marcas de uma adolescência bem vivida. E uma delas foi o dia temático, quando ela e as amigas se vestiram com os personagens do desenho Backyardigans e os amigos de Smurfs.
“Pintamos todo o corpo e a tinta demorou uns 3 dias para sair. Lembro que na hora de ir embora dois colegas voltaram de carona comigo. Deixamos os vidros abertos, apesar do frio, para abanar para as pessoas quando parávamos na sinaleira. Foi muito divertido e inesquecível!”
A atleta e ex-estudante aproveitou todas as oportunidades que surgiram no João XXIII. Participou dos eventos, dos dias temáticos, das competições esportivas e dos simulados no Terceirão. Ela conta que os simulados a deixaram mais tranquila e preparada para fazer o vestibular para Administração na UFRGS e Educação Física na PUCRS, em 2023. Foi aprovada na PUCRS, onde cursou apenas um semestre de Educação Física, trancou e quando voltou, trocou para Fisioterapia. Atualmente ela está com 20 anos, cursando o 3º semestre após uma pequena pausa para se dedicar às competições. De volta à universidade, ela diz que sente falta das amizades e das relações que tinha no João XXIII.
“Por cursar poucas disciplinas, quase não tenho amigos. Ao contrário da época do Colégio. No semestre que cursei Educação Física fiz várias amizades, mas na fisioterapia é diferente. Não sei ainda quando vou me formar, porque vou seguir fazendo as cadeiras que eu conseguir encaixar na minha rotina de treinos e campeonatos”, relata nossa ex-estudante.
A mudança de curso se deve à escolha da carreira. Ana Carolina quer se dedicar à fisioterapia do esporte aquático e náutico. Ela justifica a decisão pelo que observa nos campeonatos. Do quanto é raro ter algum profissional qualificado que entenda a vela.
“Eu me vejo trabalhando com a fisioterapia esportiva, mas não num futuro próximo. Porque agora estou na campanha olímpica, tentando a vaga de 2028 e, também, porque não sei se vou querer fazer outro ciclo para 2032, na Austrália. A primeira classificatória para a vaga olímpica de 2028 é no ano que vem. Já pensei várias vezes em desistir e tudo bem, faz parte da jornada. Nem sempre terei resultados bons, mas preciso ver o lado bom dentro de um contexto com resultados nem tão bons assim.”
Mudar de ideia, ajustar a rota, navegar por outros mares e até desistir de tudo e recomeçar faz parte do ciclo natural da vida. E a Ana Carolina traz uma reflexão para os estudantes do João:
“Nem todos estão convictos das suas escolhas acadêmicas e profissionais. É muito comum as pessoas trocarem de curso por perceberem que não era aquilo ali que queriam. E está tudo bem mudar, até porque ninguém é obrigado a sair do Colégio com 18, 19 anos e saber o que vai fazer. Se eu não tivesse mudado de curso, não saberia que a fisioterapia é a minha vida!”
Ao voltar para dar entrevista no Colégio, percebeu mudanças na estrutura, profissionais e professores diferentes. Para Ana Carolina, apesar das mudanças, o Colégio continua o mesmo em sua essência e energia.
Por Renata Lages A. Eberhardt
*PROLIM: O foco principal do Programa era a preparação dos atletas da Marinha (MB) para integrarem as equipes militares brasileiras nos 6º Jogos Mundiais Militares, organizados pelo Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM), realizados na Coréia do Sul em 2015. Mas, com o sucesso dos atletas de alto rendimento da MB, o PROLIM continuou a crescer, proporcionando àqueles com possibilidades de obterem resultados olímpicos o necessário apoio. O Programa é supervisionado pelo Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais.
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