Mykelly Costa, do João XXIII para os dados e códigos fazendo sua trajetória na tecnologia.
Por Wesley Quevedo

A história de Mykelly no João XXIII começou no 7º ano, quando fez uma prova para bolsa de estudos, pelo incentivo e vontade dos pais, que já conheciam a dinâmica e a proposta de ensino da Escola por meio de amigos próximos.
Nossa ex-aluna relembra as gincanas noturnas que aconteciam na época em que estudava no João e o período da pandemia, quando estudou em casa e sentiu falta da Escola e dos colegas. No retorno às aulas, pegou Covid e teve que se ausentar novamente.
Mykelly nos conta que amava ficar ao redor do campão e relembra o carinho que tinha pelo minizoo, extinto em 2025, além de jogar vôlei, esporte que pratica até hoje.
Ela também relembra as atividades que contribuíram para a formação de seu pensamento até os dias de hoje, que a faziam refletir sobre o meio ambiente e o cuidado com o próximo.


“O João me deixava muito livre, tinha muito autonomia pra decidir as coisas, mas eles sempre te traziam um senso de responsabilidade na hora de tomar decisões, eu acho que foi bem importante porque tu entra na faculdade e tu precisa ter esse senso”.
Ela ainda comenta: “Aqui no João tinha poucos alunos negros na minha época, agora tem mais por conta do João de Todas as Cores, que é um incentivo para alunos negros”.
Nossa ex-aluna também relembra a importância da Comissão Antirracista no João XXIII, especialmente por ser um Colégio com pouca representatividade de pessoas negras. Ela destaca a alegria de ter participado do início desse movimento, que na época se chamava Coletivo Antirracista, com o incentivo da professora da 4H, Márcia Gomes, mesmo que durante os últimos meses de sua vida escolar.
“…eu sei que quando a Márcia entrou na Escola ela começou a vir com essa questão do João antirracista e puxou eu e o Bruno, que era um colega meu e, nós fizemos parte do início da Comissão Antirracista, mas já estávamos no final do ensino médio”.


Com o passar dos anos, surgiu a dúvida que aparece em muitos adolescentes na época do vestibular: Mykelly ainda não sabia ao certo qual carreira seguir. Mesmo tendo apreço por Engenharia da Computação e Ciência da Computação, ela ainda cogitou cursar Arquitetura e Odontologia.
Entre as lembranças dos professores, como o “Rogerinho”, a Paula de química (atualmente como diretora) e Aline de português ela relembra, não por acaso, de Washington, profissional que atua na área de TI aqui no João XXIII. Ela recorda como ele chegava à sala e pedia para ninguém mexer nos computadores porque estava arrumando. Já era nossa estudante dando seus primeiros passos em direção ao universo da tecnologia.
Em 2022, ingressou no curso de Ciência da Computação pelo vestibular na PUCRS, onde participou do processo seletivo do Projeto Ada, uma iniciativa oferecida pela Universidade em parceria com a Poatek, que oferece bolsas de estudos para mulheres em cursos de ciência e tecnologia.
Nossa ex-aluna nos fala sobre estar em um lugar majoritariamente masculino e sobre a importância de outras mulheres estarem juntas na graduação. “Eu gostei de ter entrado junto com muitas mulheres. São muitos homens, ainda mais no prédio 32, que é um prédio voltado para tecnologia”, nos conta Mykelly.
“E tu também não vê muitas mulheres negras na Ciência da Computação. Era eu e mais uma colega de bolsa. Com o passar dos anos, fui vendo outras entrarem, mas eram de outros cursos.”

A transição do ambiente escolar para a área de Tecnologia da Informação trouxe não apenas novos desafios profissionais, mas também diferenças na forma de se relacionar com as pessoas. Acostumada à comunicação próxima e às trocas constantes que fazem parte do cotidiano do João XXIII, a entrevistada percebeu uma mudança significativa na dinâmica das relações ao ingressar em um novo contexto de trabalho.
“Sair do João XXIII, onde o pessoal é muito comunicativo e gosta de conversar, e ir para a área de TI, onde as pessoas são mais fechadas, é outra realidade.”
Ainda na Universidade, escolheu fazer parte de um Grupo de Realidade Virtual (GRV) e, depois de algum tempo, de um grupo de análise de dados. Segundo Mykelly, além de ter trabalhado durante todo o período da graduação, precisava estar envolvida com a Iniciação Científica.

“…também trabalhei no Sebrae como Analista de Sistemas, no intuito de aprender mais sobre dados já que eu tinha participado do laboratório de análise de dados”.
Em agosto deste ano, Mykelly concluiu a graduação e, hoje, trabalha na Telus Digital, antigamente conhecida como Poatek, onde entrou como estagiária e atualmente atua como Engenheira de Dados.
A Cientista encerra fazendo uma reflexão sobre o futuro e como cada aluno deve pensar o melhor para si, não esquecendo que ainda nos dias de hoje ter uma graduação é importante “dentro do João os funcionários sempre me incentivaram muito a correr atrás da vida acadêmica, procura algo que tu tenha interesse e tenta se profissionalizar nessa área. Mesmo que algumas pessoas falem que a graduação e a questão acadêmica não é mais importante, é muito importante e te abre muitas portas”.
Hoje, como Engenheira de Dados, olha para o caminho percorrido e reconhece nas experiências vividas no João XXIII parte importante de sua formação. Afinal, mais do que conhecimentos, são as relações, as oportunidades e os aprendizados construídos ao longo da vida escolar que continuam acompanhando nossos ex-alunos, mesmo quando novos caminhos começam a ser trilhados.








