Estação meteorológica do João XXIII une tecnologia, ciência e educação socioambiental 

Projeto desenvolvido em parceria com a Unisinos permite monitorar as condições climáticas locais, fortalece a aprendizagem interdisciplinar e busca incentivar a criação de uma rede colaborativa de estações meteorológicas. 


Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e da ocorrência cada vez mais frequente de eventos meteorológicos extremos, compreender as condições do tempo e desenvolver estratégias de prevenção tornou-se fundamental. No Colégio João XXIII, essa preocupação deu origem a um projeto que une tecnologia, ciência e educação ambiental: a construção de uma estação meteorológica própria. 

A iniciativa surgiu a partir de uma ideia dos estudantes durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), em 2025, e avançou em 2026, com a participação no programa Residência em TIC 55, da Unisinos, em parceria com a BRISA, a Softex e o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, entre outras instituições envolvidas. 

A proposta ganhou ainda mais força diante da necessidade de monitorar as condições climáticas locais, especialmente após episódios de chuvas e ventos fortes que causaram danos materiais aos prédios da Escola e a queda de árvores. 

“Nos anos anteriores, a nossa escola sofreu danos materiais nos seus prédios e diversas árvores acabaram tombando em função de chuvas e ventos fortes. Em 2025, em parceria com a Unisinos, foi possível dar início ao projeto de construção da estação meteorológica”, conta Yuri Theodoro Barbosa, professor de Matemática do João XXIII. 

Pensada inicialmente a partir de instrumentos de baixo custo, a estação foi desenvolvida para monitorar diferentes variáveis meteorológicas. Ao longo do projeto, estudantes participantes da Residência em TIC 55 trabalharam na construção, automatização e leitura dos dados de equipamentos como termômetros, sensores de umidade, pluviômetros e anemômetros, responsáveis por medir a temperatura, a umidade do ar, o volume de chuva e a direção e velocidade dos ventos. 

Com o apoio financeiro da empresa BRISA, também foi possível ampliar a proposta com a incorporação de um barômetro, que mede a pressão atmosférica e contribui para a análise das condições do tempo. 

Além de possibilitar o acompanhamento das condições meteorológicas no entorno da Escola, a iniciativa amplia as oportunidades de aprendizagem. Os dados coletados podem ser utilizados em vivências de Matemática, Biologia e Geografia, assim como na elaboração de planilhas, gráficos e painéis de visualização. Dessa forma, os estudantes têm contato direto com informações produzidas no próprio ambiente escolar, relacionando os conteúdos trabalhados em sala de aula a situações reais, com o conhecimento e o apoio dos profissionais envolvidos. 

A laboratorista Bibiana Campanher acompanha o projeto de perto e ressalta a importância de sua contribuição para a comunidade escolar. 

“Considero minha participação muito significativa, pois o projeto é pioneiro nas escolas e oferece muitas possibilidades de aplicação pedagógica e prática. Além disso, a ideia é que esse projeto possa ser replicado em outros espaços educacionais para que tenhamos dados de microclima, informações muito relevantes para o enfrentamento às mudanças climáticas”, destaca. 

Outro diferencial do projeto é a possibilidade de replicação. A proposta busca desenvolver uma solução acessível e de fácil reprodução, que possa ser implementada em outras escolas e instituições da região. Entre os próximos passos estão a ampliação dos instrumentos de medição e a elaboração de uma documentação que facilite a instalação de novas estações e permita comparar informações de diferentes locais, aumentando a confiabilidade das análises. 

Para Rodrigo Bairos, coordenador de TI e Audiovisual do João XXIII, a iniciativa também representa uma oportunidade de ampliar o alcance do conhecimento produzido na Escola. 

“Nossa perspectiva é que a iniciativa ultrapasse os limites do Colégio João XXIII, contribuindo para a formação de uma rede colaborativa de estações meteorológicas, incentivando o compartilhamento de informações, a educação científica e a democratização do acesso à tecnologia”, afirma Rodrigo. 

Com a iniciativa, o João XXIII fortalece seu compromisso com a educação científica, a inovação e a sustentabilidade. Mais do que acompanhar as condições do tempo, a estação meteorológica representa uma oportunidade de transformar dados em conhecimento, incentivar a participação estudantil e contribuir para a construção de uma rede colaborativa de monitoramento climático, ampliando o acesso à tecnologia e à informação.