Por onde anda…

… ex-estudante Pedro Grehs Leite

Entre letras e desenhos o ex-estudante do João XXIII, Pedro Leite, ilustrou e escreveu a própria história e transformou a história de 60 anos do Colégio em quadrinhos. O autor e escritor de livros infantis também ministra oficinas e palestras nas escolas. A paixão pela arte começou ainda na infância, após entrar no Colégio, no nível B, da Educação Infantil, no final da década de 80. Entre ele e seus irmãos, que passaram pelo João XXIII, o Pedro foi o único que se interessou pela arte.

Ele costumava desenhar nas classes e ao terminar o desenho tinha vontade de levá-las para casa para não perder sua criação. E a cena se repetia dia após dia. A classe era limpa e de novo se transformava numa tela em branco que pedia por mais desenhos, personagens e até mesmo novas histórias ou o que a criatividade dele inventasse.

E não era só a arte que o deixava feliz. Ele conta que, durante a infância, era muito risonho, adorava as aulas de música e de artes, gostava de brincar, explorar os espaços e de jogar bola no campão. Enquanto que na adolescência foi mais introspectivo e gostava de ficar sozinho de vez em quando. Para o Pedro, o Colégio continua fantástico, e ele ainda o enxerga com olhos de criança.

Estar no pátio, subir nas árvores, escalar barrancos e inventar histórias em cada espaço explorado eram suas atividades preferidas. O que ele mais gostava era de brincar no buraco que ficava embaixo das raízes de uma árvore, como se fosse um portal que o levava para outra dimensão.

Na adolescência eu gostava de jogar bola no campão, que era de areião, e toda vez que a gente caía, virava um croquete. Também curtia ficar com meus colegas jogando pingue-pongue. Inclusive participei de uma competição e fiquei em 2º lugar na olimpíada de pingue-pongue. Foi uma fase muito boa apesar da minha dificuldade de aprendizado durante minha trajetória escolar”, complementa Pedro.

A mãe do Pedro, por ser professora em escola pública, logo percebeu sua dificuldade de aprendizado e decidiu colocá-lo nas aulas de reforço que o Colégio oferecia, no turno inverso. Pedro comenta que gostava das aulas e até as achava divertidas. Devido à dificuldade na área de exatas, ele sabia que não seria um matemático, físico ou engenheiro. Foi no 2º grau que entendeu a arte como um caminho a seguir. Na área artística, o Pedro se aventurou na escola de teatro A_Barca, do professor Adriano Basegio. Mas foi nas aulas de artes da professora Tere que ele realmente descobriu sua vocação.

“Eu sempre gostei de desenhar, desde criança. E aí me dei conta de que queria trabalhar com isso. Os professores notavam que eu tinha dificuldade de aprendizado, mas tinha talento para a área artística. Por isso, o Colégio foi muito importante para o desenvolvimento do meu trabalho. Porque me fizeram acreditar que eu poderia ser o que quisesse: artista, músico ou cantor. Mas que era preciso também ter um espírito empreendedor. No João XXIII eu tive essa base”, ressalta nosso ex-estudante.

A base foi sólida, ele aproveitou cada aula, cada momento. Pedro lembra com carinho das aulas divertidas do professor Rogerinho, de história, e dos professores de educação física e de química. Apesar dele não gostar de algumas matérias, ele reconhece que os professores eram incríveis, pois tornavam as aulas mais leves e divertidas. Ele também se recorda de quando ia para a biblioteca ler a seção de quadrinhos coloridos do jornal Folha de São Paulo. Era um momento especial pra ele, e foi daí que surgiu a paixão pelos quadrinhos. Essa paixão o levou a participar de um concurso externo, durante o 2º grau, no qual saiu vencedor na categoria charge.

A dificuldade de aprendizado nunca foi motivo para bullying, pelo contrário. Ele sempre se sentiu respeitado nas brincadeiras e se divertia com tudo isso. Até quando teve problemas de coluna em relação à altura, o chamado “peito de pombo”, que acarretou no uso de colete ortopédico durante alguns meses, também foi respeitado. Inclusive o Colégio fez de tudo para oferecer uma estrutura adequada à necessidade dele.

“Eu usava uma camiseta, colocava o colete por cima e depois outra camiseta por cima do colete para escondê-lo. Mas o apoio da cabeça aparecia. Não tinha como as pessoas não verem. Não sofri bullying e tive muito apoio do colégio nesse período. Adaptaram uma classe para mim, porque além de ser alto, ainda estava com colete e a minha cabeça ficava levantada. Então, aumentaram a altura da mesa e inclinaram para que eu tivesse condições para estudar, sem prejudicar meu tratamento e que eu me sentisse incluído. Isso foi muito importante para mim”, ressalta Pedro.

Entre tantas vivências e memórias, ele destaca o dia em que pintaram o painel comemorativo dos 30 anos do Colégio e a participação do seu pai, Sergio Djalma Sperb Leite, engenheiro, na construção do corredor dos armários, na década de 90. Época na qual seu pai integrou a Diretoria Executiva do João XXIII.

Após sair do Colégio, Pedro ingressou no semestre seguinte em Publicidade e Propaganda na ESPM. Ao entrar na faculdade sentiu falta do espaço ao ar livre, do contato com a natureza e de estar com os amigos. Ele ressalta que muitos deles tiveram suas escolhas profissionais brotadas no João XXIII. Desses, ele levou dois deles para fora do Colégio. Um mora atualmente em Bagé e o outro acabou perdendo contato com o passar do tempo. Outro colega de quem o Pedro lembra, é o Victor Wortmann, que também participou da série Por onde anda. Pedro recorda que eles não eram do mesmo grupo de amigos, mas que se davam bem e que achava o Victor muito engraçado e divertido.

“No Colégio fomos muito incentivados, principalmente na área artística. Muitos dos meus colegas foram para essa área e outros seguiram outros rumos. Eu acabei me formando num curso que nem atuo mais, a publicidade. Após a formatura, trabalhei por 10 anos em agências de publicidade até migrar para a literatura. A faculdade me deu a base técnica em arte e empreendedorismo. O que empreendo hoje vem do aprendizado do Colégio e da faculdade. Antes mesmo de ser artista, me tornei empreendedor”, explica Pedro.

O Pedro abandonou a publicidade e mergulhou no mundo do empreendedorismo, das letras e desenhos.

“Eu sempre gostei da parte visual, tanto que penso primeiro na parte gráfica e depois na história que será contada. Eu raciocino melhor visualizando as imagens. Toda vez que vou falar para as crianças, eu explico que o desenho veio antes da escrita. O que começou como uma brincadeira, numa tirinha publicada nas redes sociais, gerou uma repercussão tão grande, ao ponto das pessoas enviarem mensagens no privado dizendo que a minha tirinha tinha melhorado o dia delas. Aos poucos fui abandonando minha formação e entrando de vez no mundo das HQ’s.”

Ao entrar na literatura infantil, ele lançou a série “Sofia e Otto”, com a qual trabalha até hoje nas escolas, com palestras, oficinas e sessões de autógrafos. Ao conhecer outras instituições de ensino, ele se deu conta do quanto foi feliz e se divertiu no João XXIII.

“Somente depois de adulto fui perceber a importância desse espaço verde e natural que o João oferece. Do quanto precisamos aproveitar as oportunidades que surgem na vida e que está tudo bem a gente não saber o que vai fazer logo que sai do colégio. Aos poucos vamos nos descobrindo e do que gostamos. Eu descobri meu grande amor, a literatura, somente na fase adulta. Cada um tem o seu tempo de descoberta”, salienta Pedro.

Sua primeira participação como escritor, no João XXIII, foi numa oficina de quadrinhos para as turmas do 3º ano do Ensino Fundamental, em 2021. A partir daí, o Colégio passou a adotar seu livro “Sofia e Otto conhecendo Porto Alegre” como leitura obrigatória. Em abril de 2024, retornou para participar da Jornada Literária, na sessão de autógrafos de seus livros e do gibi comemorativo dos 60 anos do Colégio. Em agosto do mesmo ano, esteve na FeiJoão, numa palestra emocionante e em novembro, na Mostra Cultural com sessão de autógrafos da revista em quadrinhos.

O Pedro Leite teve sua trajetória escolar toda no João XXIII. Então, falar da história do Pedro também é falar sobre a história do João. Quando até ele duvidava sobre sua capacidade, o Colégio acreditou. Quando ele pensava que era impossível ser escritor e desenhista, o João XXIII e a vida o impulsionaram para que isso se tornasse realidade.

“Quando eu era criança, por não ter esse contato com autores e escritores, achava que ser escritor e desenhista era tão difícil quanto ser um astronauta. Porque a gente não conhecia pessoas com essa profissão. Hoje, quando os autores e escritores visitam as escolas, demonstram na prática, para as crianças, que é possível sim escreverem um livro, serem compositoras, artistas e desenhistas. Uma dica para quem ainda duvida de sua capacidade ou talento, assista a sequência do Monstros S.A, a Universidade Monstros, porque ela aborda as escolhas para a universidade, futuro e os dons de cada um. Lembrem-se que está tudo bem não ter o emprego dos sonhos do teu “eu” do passado. É possível mudar de foco e de profissão”, finaliza o escritor e desenhista Pedro Leite.

Novidade 2ª temporada da série Por onde anda…

A série “Por onde anda…” completou 1 ano e com ela surgiram novas ideias, novos projetos. Em breve faremos a divulgação das próximas ações para nos aproximarmos ainda mais dos nossos ex-estudantes, fazendo com que se sintam ainda mais pertencentes à comunidade escolar do João XXIII.

Por Renata Lages A. Eberhardt

Crédito foto capa da matéria: Fernando Faixa Andrade

Notícia sobre o lançamento da HQ dos 60 anos do Colégio João XXIII:

Para ler a HQ digital, clique aqui.

Saiba mais sobre o trabalho do Pedro Leite: https://www.sofiaeotto.com.br