Ricardo Flores, nosso ex-aluno relembra como o João XXIII contribuiu com valores que carrega até os dias de hoje.
Por Wesley Quevedo

Ricardo Flores chegou ao João XXIII na década de 80, junto do irmão Felipe, em uma época em que o Colégio ainda estava nas suas primeiras décadas. Ingressou no Pré 1 e permaneceu na Escola até o 5º ano, período que deixou marcas importantes em sua trajetória.
Formado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ricardo ingressou no Inmetro há 18 anos atrás e, atualmente, atua como chefe do Serviço de Governança e Gestão da Superintendência do Inmetro no Rio Grande do Sul, sendo responsável pelas áreas administrativa, de controle interno, conformidade e compliance da gestão.
“É um cargo voltado para toda a área administrativa, com foco maior nas partes orçamentária e financeira, em compras e na gestão de contratos”, explica.
Mas o caminho profissional nem sempre esteve tão definido. Ricardo conta que, inicialmente, queria ser veterinário. Depois de algum tempo no João, o jornalismo também surgiu como uma forte possibilidade, mas foi na administração que encontrou sua vocação e construiu sua carreira.
Ao recordar os anos de Escola, Ricardo destaca os valores humanistas, a diversidade e o respeito às diferenças, características que, para ele, sempre fizeram parte da identidade do João XXIII.
“Eu sempre tive essa impressão de que era um local comunitário, por causa dos eventos. Eu lembro que, em 1986, passou o cometa Halley, e a Escola chamou todos para assistir ao cometa aqui no Campão.”
A passagem do cometa não aconteceu como o esperado, por conta das condições climáticas, mas o episódio permaneceu na memória do ex-aluno como uma lembrança especial de sua vivência no Colégio.
Ele também relembra uma grande amizade que mantém até os dias de hoje, o amigo André Abrahão. “O André era um amigo que sempre andava comigo e era da bagunça, até hoje eu tenho lembranças onde tem a feirinha, eu e o André estávamos brincando de bolinha de areia e tocando nos colegas e uma dessas bolinhas eu joguei na professora Zozô”, segundo Ricardo, levou bastante sermão do pai até a chegada em casa, pois era raro ele cometer alguma indisciplina.

Para Ricardo, voltar ao João XXIII também é uma oportunidade de reencontrar um lugar que contribuiu para sua formação como cidadão. Ele destaca o senso de proximidade e pertencimento que encontrou na Escola, mesmo sendo uma instituição de grande porte.
“Estar no João foi a melhor base que eu tive para a vida, para ser um cidadão, para a minha cidadania. Embora aqui seja uma Escola grande, tu tens um senso de proximidade que, nas outras escolas por onde passei, eu não tive”, relembra.
Ao deixar uma mensagem aos estudantes que estão se preparando para os próximos passos da vida acadêmica e profissional, ele ressalta a importância de aproveitar a experiência escolar e de manter o olhar atento às questões sociais, para além dos resultados individuais e do ingresso na Universidade.
“O que mais importa na Escola são os valores que a gente constrói e os laços que a gente forma, entendeu? Muitas vezes, as pessoas esquecem que o papel do João XXIII não é só para um ofício. Ele também te prepara para a vida, para a sociedade”, conclui.
Durante sua trajetória no Colégio João XXIII, Ricardo Flores relembra a participação dos estudantes em iniciativas junto à SPAAN (Sociedade Porto-Alegrense de Auxílio aos Necessitados), uma experiência que aproximava os alunos de diferentes realidades sociais e incentivava o envolvimento em ações de voluntariado. A vivência também contribuía para ampliar o olhar dos estudantes sobre a sociedade e a importância da participação coletiva na construção de uma comunidade mais solidária.
Para Ricardo, a Escola tem um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes de seu lugar na sociedade e das possibilidades de contribuir para uma transformação. “Eu acredito que a Escola tem que estar atenta ao que está acontecendo na sociedade, para que ela possa lidar com os alunos e trazê-los para algum tipo de contribuição, inserindo em um trabalho voluntário. Nosso papel também é entender como nós aqui somos privilegiados. Não vamos resolver todos os problemas, mas aqui no João a gente tem uma noção das camadas que formam uma sociedade”, nos conta Ricardo.
As lembranças de Ricardo carregam a saudade de um tempo que deixou marcas e a certeza de que as experiências vividas no João seguem presentes em sua trajetória, muito além dos anos passados na Escola, reforçando o compromisso com cidadãos conscientes e atentos à realidade que os cerca.




