… ex-estudante Victor Custódio Wortmann
Atualmente o ex-estudante e publicitário formado pela ESPM, Victor Wortmann, anda pela fronteira oeste do RS, mais especificamente em Quaraí. Empresário na área da pecuária, cuida dos negócios da família e ministra palestras sobre a forma como administra a fazenda e como cuida das relações com os animais, funcionários e meio ambiente.
Até chegar em Quaraí, quando substituiu o pai na liderança da fazenda, muita coisa aconteceu na vida dele e na do seu pai, José Antônio Wortmann, ex-jogador de futebol e mais conhecido como professor Bido, de educação física do Colégio João XXIII, onde também foi coordenador pedagógico do 2º grau.
Antes da entrada do Victor, suas duas irmãs já percorriam os prédios e os espaços verdes do Colégio. Os três estudaram do maternal ao 2º grau no João.
“Como ele trabalhava no Colégio, era mais prático que nós estudássemos no mesmo local. É impossível pensar na vida da minha família sem pensar no João XXIII. Nascemos praticamente dentro do Colégio. Só tenho boas lembranças daquele tempo. A vida da minha família é totalmente conectada ao João XXIII”, relata emocionado o Victor.
Na década de 70 seu pai foi convidado para dar aula de educação física no João XXIII. O Colégio era muito novo e estava em processo de construção. No entanto, a natureza, a arte, o esporte e a música já estavam inseridas no ecossistema.
“Quando entrei no maternal lembro do meu 1º dia de aula como se fosse hoje. Subimos aquela lombinha em frente ao ginásio, que ficava ao lado da sala da direção, onde hoje funciona o refeitório da Educação Infantil, e entrávamos ali por trás.”
Ele também lembra dos primeiros colegas que são seus amigos até hoje. Mas as memórias mais vivas são do 1º grau, quando o Victor participava das Festas Juninas, das aulas de artes com as atividades envolvendo argila e as tintas. Das aulas de música ele destaca os instrumentos de percussão e a flauta doce.
“O João XXIII era um catalisador de criatividade. E eu sou uma pessoa criativa. O meu contato com a arte e a música começou muito cedo. Todo mundo que estudou no João saiu daqui com o básico da música. Tanto que fui DJ de música eletrônica, toquei em grandes festivais nacionais e internacionais e o Colégio teve grande influência nisso.” Tive muita sorte, reflete Victor.
Ele destaca que os valores do Colégio também estavam presentes em sua casa, por influência do seu pai pelo tempo que trabalhou no Colégio. Victor recorda que o mais legal era chegar e sair do Colégio com o pai, porque era um tempo precioso, só dos dois.
“Eu passava muito tempo com meu pai. Só não dormíamos no Colégio. Passávamos muito tempo no João XXIII. Eu tinha admiração por ele e ele pelo trabalho e proposta do Colégio.”
Nosso ex-estudante por ser extrovertido adorava brincar com todos, característica que mantém e que ficou evidente durante a entrevista e na visita feita a Paola (ex-estudante e profissional do João XXIII e que também participou da série). O reencontro deles foi repleto de carinho, risadas e admiração. Ele conta que os ex-colegas sempre tentam se encontrar pelo menos uma vez por ano e que os encontros são uma festa.
“A Paola não estudou na minha turma, porque ela ficava no turno da tarde. Mas a gente se conhecia porque a mãe dela (professora do Colégio) e meu pai eram amigos. A irmã do Danichi (que também deu entrevista pra série), era amiga da Paola e foi minha colega. Fizemos um encontro de 20 anos da turma onde eu, Paola e a irmã do Danichi estávamos juntos com mais alguns colegas. Era uma galera muito boa.”
Essas galera que ele menciona, gostava de se reunir durante os recreios para fazer algum esporte. E quando ele e os colegas não estavam nas quadras jogando, iam para a biblioteca ler. O Victor participava de tudo no Colégio. Ele e os amigos eram muito engajados. Participavam até da confecção das bandeirinhas para a Festa Junina e tudo mais que fosse preciso.
“Éramos estimulados pelo Colégio a trabalhar coletivamente e ao mesmo tempo tudo era diversão. Nosso envolvimento era natural.”
Durante a trajetória escolar aconteceram dois fatos que marcaram a história do Colégio. Um deles foi a construção do ginásio de esportes, que além de comportar as atividades físicas, os festivais de música e outros eventos, também acolhida os estudantes nos dias de chuva. O outro foi a criação do Grêmio Estudantil do João (GEJ). Após sua criação a quantidade de eventos no João XXIII aumentou. O GEJ organizou o primeiro concurso de bandas que era em parceria com a disciplina de língua francesa.
“E eu participei algumas vezes do Festival da Canção Francesa e cheguei a vencer numa das edições. O ginásio ficava lotado no dia do Festival. Lembro que uma vez a banda gaúcha Comunidade Nin Jitsu participou do evento”, recorda Victor.
São tantas as lembranças que fica difícil escolher o que ele vai contar. No entanto, o Victor destaca uma aula de geografia, quando a turma foi ao pátio para observar um eclipse solar e que, por uns instantes, o dia virou noite.
No 2º grau, Victor realizou diversos testes vocacionais e em todos aparecia a comunicação e a publicidade como possibilidade de curso. Acabou entrando em Publicidade na ESPM onde se formou depois de quase ser jubilado, 10 anos depois de ter entrado no curso. Essa longa jornada acadêmica se deu por causa dos compromissos assumidos com a fazenda herdada do seu avô materno, para a qual seu pai dedicava toda atenção e cuidado depois de ter se aposentado do Colégio.
“A minha família é de Quaraí. Meus pais nasceram lá e o meu avô materno tinha fazenda na cidade e no Uruguai. Ele faleceu em 95. Então, tínhamos duas propriedades rurais para administrar, com criação de gado e ovelha. Minha família queria que eu administrasse, mas não tinha ideia de como seria. Por isso, achei melhor estudar veterinária para entender mais sobre os animais. Porém, não passei no vestibular da UFRGS e acabei entrando em Administração na PUCRS. Fiz apenas um semestre e desisti por não ter gostado do curso.”
Então, ele decidiu ir para a publicidade, pois os testes vocacionais apontavam para a área da comunicação. Aproveitou que a ESPM estava abrindo uma unidade em Porto Alegre e se inscreveu para o vestibular e foi aprovado.
“Levei anos para me formar, porque fazia poucas disciplinas por causa do trabalho em agência de publicidade. Quase fui jubilado. Me formei em 2010. E no dia da formatura de gabinete eu estava tão involucrado com o trabalho que não consegui chegar a tempo. Meus pais lá me esperando e eu não fui. Só passei para buscá-los e irmos para festa de formatura. Mas isso não me abalou”, recorda nosso ex-estudante.
O Victor passou por algumas agências de publicidade, conheceu pessoas, foi estagiário voluntário, depois foi efetivado para a área de atendimento, onde teve contato com o mundo coorporativo, que alicerçou sua ida para o meio rural. Antes de chegar na fazenda, passou por uma produtora de vídeo que o impulsionou a abrir seu próprio negócio aos 23 anos, a Casulo.
“Antes de migrar da área publicitária para rural, me questionei sobre o tipo de profissional que eu era. Ao refletir, percebi que eu não era um bom líder, era um bom executor. Tive que expandir minha comunicação para saber falar com públicos diversos, de várias faixas etárias, culturas e escolaridades diferentes. Então, em 2011 fui estudar numa escola na Suécia para aprender um pouco mais sobre autoconhecimento. Ao voltar, tirei um ano sabático para participar de palestras e eventos na área rural.”
Em 2013, ele foi à Nova Zelândia para ver como funcionava a pecuária. Ele tinha em mente transformar a fazenda numa empresa, num negócio rentável, no qual a mãe, as irmãs e ele fossem sócios. Foi aí que ele criou três empresas: uma holding, uma patrimonial que é dona do terreno e a outra que é dona dos animais. Todo o processo de sucessão foi feito antes do falecimento do seu pai em 2021.
“Quando chegou esse momento do processo, lembrei de todos os ensinamentos que o João XXIII me passou, como o cuidado e o respeito pelo outro e pela família. Fizemos tudo preservando nossas relações”, ressalta Victor.
Com a experiência adquirida na publicidade ele vem fazendo um trabalho diferenciado na pecuária e no meio rural. Firmou parcerias e se destacou com o trabalho que desenvolvido na fazenda, que virou referência em bem-estar animal, bem-estar social e o cuidado com o meio ambiente. Isso despertou o interesse de outras empresas que começaram a chamá-lo para palestrar sobre estruturação enquanto empresa no meio rural.
“As vivências ao longo da vida, a criação e a educação que tive me fizeram ser quem sou. E não importa o que eu faça, será sempre com dedicação, curiosidade, criatividade, humanidade e respeito a tudo e todos. Valores que aprendi no João e ficaram tatuados na minha vida e que aplico na educação do meu filho Antônio (nome que coloquei em homenagem ao meu pai).”
No retornar ao Colégio para dar entrevista, ele percebeu que muita coisa mudou e ao mesmo tempo nada.
“Eu sinto que mesmo com as mudanças a essência continua a mesma de quando estudei aqui. Foi um misto de alegria e tristeza. Uma sensação que ainda não tinha vivido. São tantas as memórias. Tenho vontade de rir e ao mesmo tempo de chorar, porque lembro do meu pai aqui em cada espaço. Apesar disso, estou muito feliz em estar aqui novamente para falar um pouco da minha história no João XXIII.”
O Victor aproveita para deixar um recado para nossos estudantes:
“Sejam curiosos, corram atrás dos seus objetivos. Busquem se conhecer e entender suas virtudes para amplificá-las e melhorar aquilo que não é tão bom assim”.
Por Renata Lages A. Eberhardt
