Por Wesley Quevedo
Conectando valores das famílias e saberes da Escola, potencializamos uma educação transformadora.
Conversar e refletir sobre as diferentes gerações é também pensar sobre a infância, a juventude e os impactos que levamos para a vida adulta. No João XXIII, além de apontar os problemas, os desafios contemporâneos são percebidos como oportunidades de reflexão conjunta e construção de estratégias em rede para seguirmos oportunizando vivências e saberes que atuam como base para que as novas gerações cresçam com mais segurança, confiança, presença e bem-estar em um mundo cada vez mais conectado.
Com esse objetivo que as crianças dos Anos Iniciais e dos Anos Finais, juntamente com a Escola e suas famílias, a partir das reflexões trazidas pelos livros Geração Incrível e Geração Ansiosa, do psicólogo social Jonathan Haidt, estão construindo estratégias coletivas que sejam mais propulsoras de um desenvolvimento pleno. A mensagem é clara: a tecnologia não precisa ser vista como uma vilã, mas seu uso deve ser monitorado e equilibrado, priorizando experiências e conexões reais. Independentemente da geração, o desafio continua sendo aproveitar os benefícios do mundo digital sem perder aquilo que nos torna humanos: o convívio, a empatia, a autonomia e as experiências vividas fora das telas.
Amanda Dornelles e Karine Pereira, Coordenadora Pedagógica e Orientadora Educacional do 1º ao 4º ano, trabalham o livro Geração Ansiosa desde o ano passado com os professores e, neste ano, trouxeram as reflexões também para as famílias, em uma proposta que chamam de pacto coletivo”. De acordo com Amanda, “a gente pactua aquilo que entende como essencial na educação das crianças”.
Como parte das atividades propostas às famílias, a etapa promoveu encontros baseados nas reflexões do livro Geração Ansiosa. As reuniões aconteceram por ano/série e foram organizadas em quatro grupos, cada um com uma temática específica relacionada aos desafios da infância e da juventude na era digital. Os encontros iniciaram com uma contextualização do tema, seguida de discussões em grupo. Em seguida, um representante de cada equipe apresentou os principais pontos debatidos e, ao final, todos os participantes compartilharam suas percepções em um momento de diálogo coletivo. A proposta fortaleceu a parceria entre família e Escola, incentivando reflexões sobre o uso da tecnologia e o desenvolvimento saudável das crianças e dos jovens.
“A escola e as famílias precisam ser parceiras e se enxergar como uma comunidade educativa, fortalecendo questões como o adiamento do uso de telas, a ocupação de mais espaços públicos, o aumento da rede de contatos e o apoio mútuo para que as crianças tenham vivências coletivas”, conta Karine.
Já as famílias do 5º ano também participaram de um encontro com a Equipe Técnica, que teve por objetivo refletir sobre alguns conceitos do Livro Geração Ansiosa, bem como conhecer a abordagem do livro Geração Incrível. O foco da obra está nas crianças e nos jovens, em uma fase da vida em que a tecnologia deixa de parecer apenas uma ferramenta e passa a ocupar o centro da rotina.
No primeiro momento do encontro os responsáveis foram convidados a analisar o próprio tempo de uso do celular. Para muitos participantes, foi a primeira vez que fizeram esse exercício, e os resultados despertaram surpresa e reflexão. A proposta consistia em uma verdadeira provocação: calcular quantos meses do ano são dedicados ao uso da internet. Esse exercício buscou incentivar uma conscientização sobre os hábitos digitais dos adultos presentes. A atividade reforçou uma importante mensagem: o comportamento dos adultos responsáveis influencia diretamente a relação que crianças e adolescentes desenvolvem com a tecnologia. Assim, antes de orientar os mais jovens sobre o uso equilibrado das telas, é essencial que os adultos também reflitam sobre seus próprios hábitos e sirvam de exemplo no cotidiano.
De acordo com Melissa Klein, Orientadora Educacional do 5º e 6º ano, “ele vai para essa questão da atenção em si e de como isso interfere e, aqui (Geração Incrível), ele vai defender o livre brincar”. A ideia desse exemplar é mostrar, de forma ilustrativa, dinâmica, mas séria e real, quanto tempo estamos conectados e como isso prejudica nosso dia a dia.


Melissa também destaca o Movimento Desconecta, um movimento formado por um grupo de mães que se uniu para compartilhar o cuidado com a infância e a adolescência no uso das telas. “Defendem a volta do contato com a natureza e o livre brincar, trazendo a ideia da dimensão do problema e mostrando que estamos criando, cada vez mais, uma geração que não tem acesso à rua, aos pequenos desafios que a gente foi aprendendo a enfrentar, uma geração que sequer consegue pegar transporte público.”
Geração Ansiosa, X e Y
Em um mundo analógico, as gerações X e Y viveram infâncias marcadas pela autonomia, pelas brincadeiras ao ar livre e pelas relações construídas no contato direto. Com a transição para o mundo digital, muitos conheceram a internet apenas na adolescência ou na vida adulta, utilizando a tecnologia como uma ferramenta para estudar, trabalhar e se comunicar, sem que ela ocupasse toda a infância.
Geração Incrível, Z e Alfa
Já as gerações Z e Alfa cresceram com as redes sociais e o acesso constante à internet. As experiências presenciais passaram, muitas vezes, a ser substituídas pelas digitais, cenário que, segundo Jonathan Haidt, está associado ao aumento de casos de ansiedade, depressão, baixa autoestima e isolamento, especialmente entre adolescentes.
Ao refletirmos sobre os desafios apresentados em Geração Ansiosa e Geração Incrível, fica evidente que formar uma nova geração vai muito além de estabelecer regras para o uso das telas. É um convite para que as famílias e o João XXIII caminhem juntos, promovendo o diálogo, o equilíbrio e experiências que fortaleçam vínculos, autonomia e saúde emocional.
Esse compromisso torna-se ainda mais importante diante da chegada da Geração Beta, composta pelas crianças nascidas a partir de 2025. Elas crescerão em um mundo cada vez mais conectado, marcado pela inteligência artificial e por tecnologias que transformarão a forma de aprender, trabalhar e se relacionar. Mais do que preparar essas crianças para a tecnologia, o desafio será ajudá-las a desenvolver senso crítico, empatia, autonomia e relações humanas significativas.
Afinal, independentemente da geração, o futuro continuará sendo construído por pessoas. E é nelas que deve estar o nosso maior investimento.
Declaro que a explicação a partir da Geração X, Y, Z e Alfa contou com o auxílio do Gemini, para aprimorar os tópicos e a gramática.





